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Melena Ryzik reúne as estrelas da sequência de “O Diabo Veste Prada”

Quatro mulheres conversando e sorrindo sentadas em sofás em sala com mesa de centro e vista urbana.

Melena Ryzik coloca o elenco da sequência frente a frente

A jornalista Melena Ryzik - que se autointitula “repórter itinerante de cultura no 'The New York Times', cobrindo as personalidades, os projetos e as ideias que impulsionam o mundo criativo" - recebeu a tarefa de reunir, numa mesma conversa, os nomes que estrelam a sequência de “O Diabo Veste Prada”, que estreia nesta quinta-feira em Portugal. As imagens sugerem um encontro leve e descontraído, mas a versão editada do papo deixa claro que, em entrevistas de divulgação, quase sempre existe algo além das fotos divertidas.

Antes de seguir para as perguntas, Ryzik contextualiza: o texto nasce de uma entrevista conjunta com o diretor e o elenco, além de conversas individuais realizadas no hotel Four Seasons, em Nova York.

Quem volta em “O Diabo Veste Prada”

“Duas décadas depois de Meryl Streep, como a implacável editora de moda Miranda Priestly, ter feito um discurso memorável com a frase ‘É só isso’, chega a sequência, com o mesmo realizador, David Frankel, e as seguintes estrelas: Anne Hathaway como Andy, a ex-assistente idealista com talento jornalístico de sobra que está de volta à revista de Miranda, 'Runway'; Emily Blunt como a sarcástica ex-subordinada Emily, agora executiva de design; e Stanley Tucci como Nigel, o leal braço direito de Miranda”.

Vinte anos depois: um mundo (bem) diferente

A largada da conversa é decisiva. Ao ser perguntada sobre como enxerga hoje, 20 anos depois, o primeiro filme, Meryl Streep vai direto ao ponto: “Pitoresco. Sabe, foi feito um ano antes do lançamento do iPhone. É um mundo completamente diferente.” A resposta indica que, por trás do brilho da moda, existe uma base mais ampla - a ligação entre moda, economia e comunicação - que sustenta uma história que não quer ser vista apenas como distração vazia.

Anne Hathaway aprofunda a leitura ao apontar uma ferida atual na trajetória da personagem: “Andy viveu uma vida que lhe trouxe muita satisfação. Ela fez o que queria, teve muitas aventuras. A coisa que lhe falta, e que ela tem dificuldade em encontrar, é algo que muitas pessoas no mundo também têm dificuldade em encontrar: segurança no emprego.”

Ambição, gênero e a liderança de Miranda Priestly

A discussão também passa por gênero, masculinidade tóxica e pelo espírito da época. De novo, é Meryl Streep quem organiza o argumento ao explicar como encontrou o caminho para interpretar a crueldade essencial de uma chefe: “A maioria dos chefes que tive na vida eram homens. Então eu copiei-os, as pessoas que eram boas a liderar de forma firme sem, aparentemente, fazer muito esforço.”

Na mesma linha, Emily Blunt observa que “a ambição tem sido frequentemente considerada uma palavra negativa para as mulheres”, enquanto, como ela diz, “para os homens, é vista como algo a ser celebrado”. “E acho que ambição significa, na verdade, apenas sonhos com um grande propósito. O primeiro [filme] ofereceu esse espaço muito inspirador para as raparigas admirarem isso, para quererem mais para si mesmas”, reconheceu a atriz.

Streep encerra esse bloco com uma provocação sobre como a recepção mudaria caso o poder viesse em outro corpo: “Sabes, se a Miranda Priestly fosse o Michael Priestly, não haveria filme, pelo menos o primeiro. Tudo o que ela faz é um pouco horrível, mas seria até adorável se fosse um homem a dizer”.

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