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Looksmaxxing: adolescentes usam esteroides para vacas e isso assusta

Jovem sem camisa no banheiro segurando frasco de medicamento enquanto assiste vídeo no celular.

Alguns adolescentes já não hesitam em recorrer a esteroides feitos para vacas para ganhar massa muscular - e isso é, no mínimo, assustador.

As pressões sobre o corpo e a aparência não são novidade. Só que, com a força das redes sociais, esses padrões de beleza (muitas vezes sem sentido) ficaram ainda mais rígidos e invasivos. Embora as mulheres sejam as principais alvos, os rapazes também entram na mira. Nos últimos meses, a onda virilista e masculinista do looksmaxxing disparou nas redes sociais e no ChatGPT - e pode ser particularmente perigosa para adolescentes, que ainda estão em fase de formação e tendem a ser mais influenciáveis.

Nessa corrida por um “ideal” de beleza masculina, alguns jovens passam de todos os limites e colocam a própria saúde em risco. A cada dia, mais adolescentes acabam cedendo ao uso de esteroides para “melhorar” o físico - apesar de todos os perigos.

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A pressão estética e o looksmaxxing nas redes sociais

O looksmaxxing, que vem sendo amplamente promovido nas redes nos últimos meses, nasceu em espaços misóginos e masculinistas da internet e, de forma mais ampla, da cultura incel. A lógica por trás dessa tendência é a de que a aparência dos jovens homens determinaria, de modo inevitável, o sucesso com as mulheres - e até na vida como um todo.

O padrão masculino exaltado pelo looksmaxxing é bem específico: ser “bonito” significa parecer mais viril, com maxilar bem quadrado, traços marcados, olhos de “caçador”, maçãs do rosto saltadas e por aí vai.

“Espelho, espelho meu…”

Para alcançar esse visual “ideal” ditado pelas regras do looksmaxxing, circulam práticas e exercícios que vão do ridículo ao preocupante. Um exemplo é o bone smashing, que consiste em bater no próprio rosto com um martelo para provocar microfraturas e, supostamente, alterar a estrutura óssea - buscando um maxilar mais definido, mais quadrado e mais “viril”. Outra prática citada é clarear os dentes com água oxigenada. Não faça isso em casa.

É dentro desse mesmo contexto que surge uma tendência ainda mais alarmante entre adolescentes: há quem esteja disposto a qualquer coisa para chegar ao corpo dos sonhos - inclusive usar esteroides destinados a animais e transformar o próprio corpo ignorando riscos óbvios.

Trenbolona em adolescentes: esteroides veterinários para “ganhar massa”

Nas redes sociais, um adolescente de 16 anos chamado Zaid Laila expõe uma mudança corporal impressionante. Em apenas 6 meses, ele passou a exibir uma musculatura muito acima do comum para a idade. O “segredo”? Treino, claro - mas principalmente injeções de “tren”.

O acetato de trenbolona é um esteroide anabolizante androgênico usado na medicina veterinária como hormônio artificial de crescimento nos Estados Unidos e no Canadá. Na prática, trata-se de uma substância voltada a engordar vacas antes de serem levadas ao abate - e que nunca foi aprovada para uso em humanos.

@zaidtrenn Aumenta 13,6 kg no seu supino #foryoupage #fyp #gym #gymtok #viraltiktokvideo ♬ hot n cold – audiobear

Mesmo assim, Zaid não enxerga aí um problema. Para ele, seria apenas um atalho para obter o físico “ideal”. “Por que esperar 10 anos se eu posso conseguir em menos de um ano?” disse ele à CBS News. O consumo de esteroides não é algo novo, mas por muito tempo foi um tema tratado como tabu. Agora, jovens como Zaid não escondem: ao contrário, falam disso abertamente.

O estudante admite que sabe dos riscos de usar esse tipo de substância, mas isso não o preocupa. “Se eu tiver um ataque cardíaco aos 30 anos, eu tenho um ataque cardíaco”, comenta com indiferença. Ainda assim, ele teria motivos para se alarmar. Esteroides anabolizantes podem causar danos ao coração, aos rins e ao fígado. E a trenbolona pode ser ainda mais perigosa, com efeitos colaterais potencialmente mais intensos, justamente por ser uma substância muito potente.

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