O verão ainda nem chegou, mas já estamos sufocados por uma onda de calor brutal, que exige muito do nosso corpo. Numa situação assim, vale apostar em tudo o que ajude a sofrer menos - começando pela uva, uma fruta surpreendentemente eficaz para reduzir os danos das agressões do Sol.
Onda de calor: temperaturas recordes e um alerta real
Ontem, 26 de maio, a França acabou de enfrentar um dos dias mais quentes já registados num mês de maio. Foram 37,1 °C perto de Hossegor, 33,5 °C em Lyon, 33 °C em Paris, o mesmo em Bordeaux - e nem a Bretanha escapou, com termómetros acima de 30 °C em boa parte do território. Uma onda de calor terrível, infelizmente marcada pela morte de sete pessoas e que, segundo as previsões, deve continuar até a próxima semana.
Quando episódios como esse chegam, o mais sensato é reforçar os cuidados de sempre:
- evite se expor ao ar livre nos horários mais quentes, sempre que possível;
- mantenha-se bem hidratado;
- refresque-se como der (banho, ambientes ventilados, compressas frias, etc.);
- use roupas leves;
- cuide de quem está à sua volta, principalmente pessoas vulneráveis (crianças e idosos).
A essa lista, dá para acrescentar uma recomendação menos conhecida: coma uva. É verdade que não é exatamente uma fruta típica da estação, mas além do sabor e do valor nutricional, ela pode fortalecer as defesas naturais da pele, que costuma sofrer bastante durante períodos de calor intenso.
Uva: aliada da pele durante as canículas
A uva tem níveis elevados de catequinas e resveratróis, duas famílias de polifenóis - moléculas orgânicas que as plantas produzem naturalmente, em parte para se defender de agressões externas como radiação UV, agentes patogênicos, stress ambiental e metais pesados. Ao consumir a fruta, esses compostos entram na corrente sanguínea e chegam às células da pele, onde ativam genes ligados à produção de proteínas que formam e reforçam a barreira protetora cutânea.
Além do efeito fotoprotetor, o consumo regular de uva estimula, ao mesmo tempo, dois processos biológicos: queratinização e cornificação. Na prática, são duas fases do mesmo ciclo contínuo: a renovação da pele.
As células da epiderme surgem nas camadas mais profundas e, à medida que amadurecem, migram lentamente para a superfície. Nesse percurso, vão acumulando queratina (uma proteína rígida e hidrofóbica - a mesma que compõe unhas e cabelos) até perderem o núcleo e morrerem. Quando chegam à parte mais externa, essas células mortas se achatam em lâminas finas e se sobrepõem, criando um revestimento compacto e impermeável: o estrato córneo. É justamente essa arquitetura em camadas que define o quanto a pele resiste às agressões externas, incluindo os UV.
Quanto mais espessa e bem estruturada essa camada, maior a capacidade de absorver ou desviar a radiação antes que ela alcance as células vivas abaixo - exatamente onde o UV pode causar danos no ADN. A uva acelera esse ciclo e melhora a densidade da barreira cutânea.
Antioxidantes e neutralização de radicais livres
A fruta também atua como antioxidante, ajudando a contrariar o efeito dos UV, que estimulam nas células da pele a formação de radicais livres. Essas moléculas instáveis iniciam uma reação em cadeia de oxidação: retiram elétrons de lípidos de membrana e do ADN, enfraquecendo as células “por dentro”. Os polifenóis presentes na uva neutralizam quimicamente esses radicais antes que a cascata se intensifique.
Quanto consumir, alternativas e o papel do protetor solar
Para que esses efeitos se estabeleçam, a orientação é consumir cerca de 400 gramas por dia - o equivalente a dois cachos médios - durante duas semanas.
Se você faz questão de comer apenas frutas da estação ou simplesmente não gosta de uva, existe a opção de comprar extratos de semente de uva em farmácias. Apesar de mais caros, eles têm os mesmos polifenóis em concentração bem mais alta.
E vale reforçar: a uva não substitui um bom protetor solar FPS 30 ou 50 - ele continua a ser a sua principal defesa contra os UV, porque é o único que os bloqueia antes mesmo de atingirem a pele.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário