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Wegovy em comprimido: EMA recomenda aprovação na Europa

Médica segurando comprimido na mão com mesa, laptop e jaleco ao fundo em consultório iluminado.

Pela primeira vez na Europa, um medicamento para obesidade pode, em breve, ser tomado em forma de comprimido. A mudança é silenciosa, mas o impacto potencial é enorme - do ponto de vista médico, económico e também industrial.

Nos últimos anos, um nome ganhou destaque global: Wegovy. Criado pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, tradicional no tratamento de diabetes e obesidade, o fármaco baseia-se numa molécula chamada semaglutida.

Como o Wegovy (semaglutida) atua no GLP-1

O mecanismo é reproduzir a ação de uma hormona naturalmente libertada pelo intestino após as refeições, o GLP-1, que envia ao cérebro um sinal de saciedade. Na prática, isso faz com que os pacientes sintam menos fome, comam menos e, consequentemente, emagreçam.

Do injetável ao comprimido diário do Wegovy

Até aqui, o Wegovy era aplicado como uma injeção semanal. Embora seja eficaz, o formato tem um custo em termos de adesão: muitas pessoas não se sentem confortáveis com a ideia de se autoaplicar uma injeção toda semana, o que trava a adoção em larga escala.

Na sexta-feira, 22 de maio, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) recomendou a aprovação de uma versão em comprimido do Wegovy, com um comprimido por dia. Se avançar, será um marco na Europa: ainda não existe um medicamento contra a obesidade com autorização europeia nesse formato oral.

Um mercado colossal

Os dados clínicos ajudam a explicar a movimentação: com 25 mg por dia, os participantes perderam, em média, 16,6% do peso corporal em 64 semanas, enquanto o grupo placebo registou apenas 2,7%. A Comissão Europeia ainda precisa confirmar formalmente a recomendação, mas esse tipo de etapa costuma, na prática, ser seguido por uma autorização.

Nos Estados Unidos, o Wegovy em comprimido chegou ao mercado em janeiro de 2026, depois do aval da Food and Drug Administration (FDA). A procura foi imediata: em poucos meses, mais de 1 milhão de pacientes americanos já utilizavam a versão oral, reforçando o interesse por alternativas às injeções.

Para analistas do setor, os medicamentos GLP-1 podem ultrapassar 100 mil milhões de dólares em faturação anual na próxima década. Esse montante alimenta uma disputa intensa entre dois pesos-pesados: a Novo Nordisk e a americana Eli Lilly.

Do lado da concorrência, a Lilly colocou nos Estados Unidos, em abril de 2026, a sua própria pílula antiobesidade, a Foundayo - e o desempenho comercial também tem sido forte. As duas empresas, assim, travam uma batalha comercial agressiva, num contexto em que a Lilly já tinha tomado da Novo a liderança no segmento de injetáveis.

Na Europa, porém, a Foundayo ainda aguarda aprovação. É exatamente essa brecha que a farmacêutica dinamarquesa pretende aproveitar.

Entraves reais que não podem ser ignorados

Conseguir a aprovação regulatória é apenas uma parte do caminho; transformar isso em acesso efetivo para os pacientes é outra. E, nesse ponto, ainda há obstáculos relevantes. O primeiro é operacional: ao contrário da pílula da Lilly, o comprimido de Wegovy precisa ser tomado em jejum, sem que outros medicamentos sejam ingeridos na mesma janela de tempo.

Além disso, as políticas europeias de reembolso variam bastante de um país para outro. E, se a versão injetável do Wegovy já costuma ficar restrita a serviços especializados - longe da atenção de rotina -, não há garantia de que o comprimido passe a ter um acesso mais amplo.

A Novo Nordisk diz que pretende lançar a pílula em alguns mercados fora dos Estados Unidos no segundo semestre de 2026, sem indicar quais, por enquanto. A Europa aparece bem posicionada, mas a distância entre a autorização de comercialização e a prescrição no consultório do clínico geral ainda pode ser longa.


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