Os medicamentos para perda de peso se tornaram tão comuns que é fácil imaginar que todos sejam, no fundo, iguais.
Muitas pessoas se referem a eles pela marca mais conhecida que ouviram por aí, ou simplesmente usam aquele que o plano de saúde aceita cobrir.
A suposição costuma ser a de que qualquer um desses remédios trará resultados parecidos. Um novo estudo indica que isso está longe de ser verdade.
Pesquisadores compararam os três principais medicamentos para emagrecimento e encontraram diferenças importantes na quantidade de peso que as pessoas realmente perderam, com um deles ficando bem à frente dos demais.
Mesma classe de remédios, resultados diferentes
Todos esses medicamentos fazem parte de uma família chamada GLP-1, sigla para peptídeo semelhante ao glucagon-1, um hormônio liberado pelo intestino após as refeições.
Esses remédios imitam esse sinal, reduzindo a glicose no sangue e retardando o esvaziamento do estômago, o que ajuda a manter a fome sob controle por mais tempo.
Essa combinação de efeitos ajudou a torná-los extremamente populares. Segundo uma pesquisa recente, cerca de um em cada oito adultos americanos usa um deles atualmente, e quase um em cada cinco já experimentou.
Até agora, ninguém havia comparado diretamente os três medicamentos aprovados em pessoas sem diabetes que buscam perder peso.
Pooja Gokhale, doutoranda em farmácia na Universidade da Geórgia (UGA), foi a autora correspondente da revisão.
Um medicamento para perda de peso se destaca
Os pesquisadores reuniram resultados de 15 grandes estudos randomizados envolvendo mais de 14 mil pessoas. A maioria desses ensaios compara um medicamento com um tratamento placebo, e não com outro concorrente.
Como não existiam dados de comparações diretas, a equipe conectou os estudos separados para classificar os medicamentos de forma indireta.
A tirzepatida, vendida como Zepbound para perda de peso e Mounjaro para diabetes, apareceu em primeiro lugar, ajudando as pessoas a perder mais de 20% do peso corporal inicial.
A semaglutida, princípio ativo do Wegovy, ficou atrás, com cerca de 15%.
A liraglutida, comercializada como Saxenda, teve o menor desempenho, com algo em torno de 8%. As maiores reduções ocorreram com as doses mais altas de tirzepatida, entre 10 e 15 miligramas por semana.
Nesse aspecto, os dados sugerem que a tirzepatida pode ser a melhor escolha.
O reforço de um hormônio extra
O que diferencia a tirzepatida é um segundo alvo de ação. Wegovy e Saxenda atuam apenas no sistema GLP-1, enquanto a tirzepatida também ativa um segundo hormônio intestinal, ligado ao controle do apetite e da digestão.
Em um importante estudo sobre obesidade, pessoas que receberam a dose mais alta de tirzepatida perderam quase um quarto do peso corporal ao longo de cerca de 16 meses.
Dois sinais ao mesmo tempo, e não apenas um. Os pesquisadores acreditam que essa ação dupla é o que dá ao medicamento sua vantagem.
Ainda assim, a revisão avaliou os resultados, não os mecanismos biológicos por trás deles. Ela consegue ordenar quanto peso cada remédio ajudou a reduzir, mas não explicar exatamente por que a estratégia de dois alvos funciona melhor - apenas mostrar que quem usou tirzepatida terminou mais leve.
As injeções diárias ficam para trás
Por ser o mais antigo dos três, a liraglutida ficou bem atrás dos demais. Ela também exige mais dos pacientes, com aplicação diária, em vez do esquema semanal adotado pelos dois medicamentos mais recentes.
Uma injeção por dia é mais fácil de ser esquecida, e doses perdidas costumam levar a resultados mais fracos.
Somado à menor perda de peso do grupo, esse esquema ajuda a explicar por que a liraglutida vem perdendo espaço para opções mais potentes.
Os pesquisadores também buscavam um medicamento eficaz sem aumentar demais efeitos colaterais como náusea e desconfortos gastrointestinais, comuns em toda essa classe.
Nesse equilíbrio, a opção diária mais antiga não conseguiu acompanhar as outras.
Uma alternativa às injeções
As injeções afastam muitos potenciais usuários, então uma versão em comprimido tem um apelo evidente.
A equipe fez uma análise separada para avaliar como uma forma oral de semaglutida poderia se sair em comparação com as versões injetáveis.
Na dose de 50 miligramas, o comprimido superou a liraglutida e a menor dose de tirzepatida, mas não alcançou os resultados das doses mais altas de tirzepatida.
Gokhale afirmou que ele ficou praticamente no mesmo nível da semaglutida injetável.
Na época da revisão, os órgãos reguladores ainda não haviam aprovado a versão oral para perda de peso.
Desde então, um comprimido de 25 miligramas chegou ao mercado, mostrando como essa área continua evoluindo rapidamente.
Interromper o tratamento tem consequências
Há um detalhe que qualquer classificação pode esconder. Esses medicamentos para perda de peso funcionam enquanto a pessoa continua usando, e o peso geralmente volta quando as injeções são interrompidas - um padrão observado em toda a classe.
“Algumas pessoas não entendem que, quando param de tomar o medicamento, podem ganhar todo esse peso de volta”, disse Lorenzo Villa-Zapata, coautor do estudo e professor assistente de farmácia da UGA.
Um estudo encontrou que as pessoas recuperaram cerca de dois terços do peso perdido dentro de um ano após interromper o tratamento.
A nova análise não acompanhou o que acontece depois que as pessoas deixam de usar os medicamentos, então seu ranking vale apenas durante o período de uso.
Escolhendo o medicamento certo para perda de peso
Pela primeira vez, médicos e pacientes têm uma resposta clara, comparável entre si, para adultos sem diabetes que usam esses remédios com o objetivo de emagrecer.
A tirzepatida promove a maior perda, a semaglutida vem em seguida, e a liraglutida fica por último. Enfim, uma ordem clara.
Esse ranking dá aos prescritores um motivo para considerar primeiro a tirzepatida quando o objetivo é obter a maior perda de peso com menos queixas gastrointestinais.
Também oferece aos pacientes uma visão mais nítida antes de iniciar um tratamento longo e caro.
O próximo desafio é responder às perguntas mais difíceis: como evitar o reganho de peso após o tratamento e se um comprimido mais barato pode entregar os mesmos resultados que as injeções.
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