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Yves Saint Laurent lidera o Lyst Index com direção artística constante

Mulher elegante em terno preto aplicando batom no terraço com a Torre Eiffel ao fundo em Paris.

O desempenho da marca francesa prova, com elegância, que uma direção artística bem definida e mantida ao longo do tempo pode valer mais do que qualquer grande campanha de marketing.

Um mercado de luxo menos eufórico no pós-COVID

A agitação do setor de luxo no período pós-COVID dá sinais de arrefecimento: o ritmo de crescimento diminui e a procura também, o que tem exposto a perda de fôlego de alguns conglomerados (como a LVMH, por exemplo). Num cenário económico mais instável, algumas casas conseguem destacar-se com força - e é exatamente o que acontece com a Yves Saint Laurent, que o mais recente Lyst Index colocou no 1.º lugar entre as marcas mais procuradas.

Baseado nos hábitos de compra e pesquisa de 160 milhões de utilizadores, este barómetro leva, pela primeira vez, a empresa francesa ao topo da hierarquia do luxo global.

Yves Saint Laurent: a força tranquila

Criada em 1961, a casa YSL construiu a sua reputação ao equilibrar transgressão e classicismo - uma dualidade muito própria que continua a atrair e que, com o tempo, se tornou o seu principal fator de diferenciação. Se fosse inevitável compará-la a uma empresa de tecnologia, a referência seria a Apple: uma marca que sempre ditou padrões e códigos estéticos.

Desde 2016, Anthony Vaccarello, à frente da maison, conseguiu transformar o legado de Yves num vocabulário visual altamente codificado, visível em quase tudo o que a marca faz: silhuetas precisas, fatos pretos, couro estruturado e óculos de geometria singular. Um estilo inconfundível, reconhecido pelo Lyst Index este ano, que ressalta no relatório que as casas que se impõem são aquelas com “uma direção criativa clara e uma execução coerente”.

O Lyst Index e o apelo por identidade forte

Entre os itens que seguem essa estética, o mocassim Loafer - um modelo emblemático da temporada de outono - entrou na lista de artigos de luxo mais procurados do mundo. Emma McFerran, CEO da Lyst, explica que “os clientes agora compram com intenção, priorizam peças versáteis que atravessam as estações e procuram marcas com identidade forte”. Uma descrição que combina palavra por palavra com a estratégia de marketing da YSL: sustentar a própria identidade sem tentar reinventar-se todos os anos.

Contra a lógica das coleções efémeras

Com o mercado inundado por coleções de vida curta e pela moda rápida, a YSL recusa entrar na dinâmica desses ciclos acelerados, posicionando-se como uma marca quase patrimonial, que não tem pressa. Sem recorrer à escalada do “sempre mais”, a casa parisiense consegue, hoje, preservar a sua autoridade.

Os fãs de moda valorizam uma visão clara e constante, materializada num produto forte e reconhecível”, resume Katy Lubin, vice-presidente de comunicação da Lyst. Ao optar por não se fragmentar como tantas outras (Balenciaga, Versace, Gucci, Prada, etc.), a YSL parece ter encontrado a fórmula certa.


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