Quem pensa em exercício para emagrecer quase sempre cai no trio corrida, academia ou treinos intervalados puxados. Só que, discretamente, outra prática ganhou espaço: é bem mais gentil com as articulações, acelera o coração e, segundo especialistas, pode ajudar a atacar pontos teimosos como barriga, pernas, bumbum e a celulite.
O que realmente é a tendência de “caminhada na água”
Esse esporte costuma ser chamado de “caminhada na água” ou Aquawalking. A ideia é caminhar no mar, em um lago ou em uma piscina grande com a água mais ou menos entre o umbigo e as axilas. Geralmente a atividade é feita em grupo, muitas vezes com roupa de neoprene e, em alguns casos, com calçados para proteger os pés de pedras.
"Esse esporte aquático combina treino de resistência, fortalecimento muscular e massagem linfática - e, ao mesmo tempo, poupa as articulações e as costas."
O motivo é simples: dentro d’água, o corpo “pesa” muito menos, então joelhos e quadris recebem menos carga. De acordo com portais de esporte, na água você sustenta apenas cerca de um décimo do seu peso normal. É exatamente isso que torna a prática atraente para quem está acima do peso, convive com dor no joelho ou quer voltar a se movimentar depois de uma lesão.
Por que a fama de “esporte de vó” não tem nada a ver
De fora, ver um grupo de pessoas na água (muitas vezes de touca) pode até parecer pouco atlético. Mas a aparência engana: o que manda é o ritmo. Quando você caminha rápido, enfrenta o tempo todo a resistência das ondas - e essa resistência é muito maior do que o arrasto do ar em terra.
Quando o passo fica acelerado, o treino se torna exigente e tende a recrutar principalmente:
- Coxas - cada passada precisa ser “puxada” através da água
- Glúteos - estabilizam o corpo a cada avanço
- Abdômen e core - mantêm o equilíbrio contra correnteza e ondulação
- Costas - ajudam a sustentar a postura ereta e a coordenar o movimento
Ao mesmo tempo, o sistema cardiovascular entra em ação: ao aumentar o esforço, você fica ofegante - só que sem a pancada repetida típica de correr no asfalto.
Como o Aquawalking ajuda no emagrecimento
Entidades esportivas e escolas de natação indicam que, ao caminhar com vigor na água, é possível gastar cerca de 500 a 550 quilocalorias por hora - cálculo feito para uma pessoa em torno de 70 kg. Quem pesa mais, em geral, consome um pouco mais de energia.
Para favorecer o uso das reservas de gordura, treinadores sugerem permanecer na chamada zona de resistência. Em termos práticos, isso significa manter a frequência cardíaca por volta de 60 a 70% da frequência máxima.
"Como regra prática: você respira bem mais rápido, mas ainda consegue conversar em frases completas - assim, está na faixa certa para a queima de gordura."
Dentro d’água, segundo escolas de natação, isso frequentemente corresponde a um ritmo de aproximadamente 5 a 8 km/h. No papel não parece tão rápido, porém, com a resistência da água, a sensação costuma ser muito mais intensa do que uma caminhada em terra.
Quanto tempo é preciso treinar para começar a notar diferença?
Quem quer mexer especificamente com gordura localizada deve, após um breve aquecimento, ficar pelo menos 45 minutos dentro da zona de resistência. Muitos treinadores sugerem um esquema simples:
- 10 a 15 minutos de aquecimento (caminhada leve, ginástica suave)
- depois, 45 minutos de caminhada rápida na água
- para fechar, 5 a 10 minutos de desaceleração e alongamento
Se você conseguir manter esse programa 1 a 2 vezes por semana - somando uma alimentação razoavelmente equilibrada - dá para perceber redução de medidas. O número na balança nem sempre despenca, mas muita gente relata pernas mais firmes, abdômen mais “seguro” e postura melhor.
Ondas que massageiam: o que esse treino pode fazer pela celulite
Um bônus bastante citado é o efeito no tecido conjuntivo. A água pressiona a pele a cada movimento, como se fosse uma massagem contínua e delicada. Instrutores falam em uma “drenagem” natural, isto é, estímulo do fluxo linfático e da circulação.
"A combinação de trabalho muscular e pressão da água pode reduzir de forma visível as ondulações em coxas e glúteos e deixar a textura da pele mais uniforme."
Esse resultado não é fortemente comprovado por grandes estudos, mas relatos de experiência apontam para a mesma direção: quem treina com regularidade por várias semanas costuma descrever pele mais lisa, menos sensação de peso nas pernas e uma silhueta mais firme no geral.
Por que o treino na água é tão amigo das articulações
O principal motivo é o empuxo: articulações, ligamentos e coluna carregam muito menos peso. O impacto típico do jogging simplesmente não acontece. Por isso, o Aquawalking pode ser interessante para:
- pessoas com artrose no joelho ou no quadril
- pessoas com excesso de peso que se sobrecarregam rapidamente em terra
- quem está começando a praticar atividade física após uma pausa longa
- pacientes em reabilitação após alguns procedimentos ortopédicos (com orientação médica)
Ainda assim, a musculatura trabalha pesado, porque cada passada precisa vencer a água. Isso permite desenvolver força e condicionamento sem o risco clássico do “joelho de corredor”.
Como começar no esporte aquático
O melhor cenário é uma área costeira com ondas moderadas ou um lago com margem longa e declive suave. Assim, dá para avançar aos poucos até a água ficar mais ou menos na altura do peito. Em muitas regiões turísticas - e cada vez mais também na Alemanha - clubes e escolas de natação oferecem aulas em grupo.
Para iniciar, normalmente basta um kit básico:
- maiô/sunga ou roupa de neoprene (dependendo da temperatura da água)
- calçado aquático antiderrapante para evitar cortes e escorregões em pedras, conchas ou piso liso
- opcionalmente, luvas finas de neoprene em água fria
- gorro leve em dias de vento, para proteger as orelhas
Quem não se sente seguro na água ou tem dificuldade para avaliar correnteza deve preferir começar com um curso. O instrutor costuma cuidar da segurança, corrigir a técnica e indicar ritmos adequados ao condicionamento e ao estado de saúde.
Com que frequência vale a pena entrar na água?
Uma meta realista e eficiente é fazer 1 a 2 sessões por semana. Se der para aumentar, suba aos poucos para 3, mas mantendo sempre pelo menos um dia de descanso entre treinos intensos. O corpo precisa de recuperação para que os músculos se desenvolvam e o tecido conjuntivo se adapte.
Riscos, limitações e para quem a prática não é a melhor escolha
Apesar de parecer “suave”, esporte aquático nunca é isento de risco. Quem tem doença cardiovascular, hipertensão importante ou problemas respiratórios deve buscar orientação médica antes de começar. O frio pode exigir mais do sistema circulatório, e ondas e correntezas nem sempre são fáceis de ler.
Alguns cuidados essenciais:
| Aspecto | O que observar |
|---|---|
| Clima e água | Evitar tempestades, correnteza forte ou ondas altas; observar a temperatura da água |
| Saúde | Em caso de problema cardíaco, asma ou infecção aguda, consultar um médico antes |
| Segurança | Não ir sozinho em águas desconhecidas; preferir estar em grupo |
| Equipamentos | Usar calçado para prevenir lesões no fundo; roupas que aqueçam em água fria |
Quem não tolera bem água muito fria pode optar por piscinas externas aquecidas ou por piscinas cobertas maiores. Em alguns locais, já existem raias ou aulas nas quais a caminhada na água é explicitamente permitida.
Como potencializar ainda mais os resultados
A prática tende a render mais quando vem acompanhada de outros hábitos. Uma alimentação com foco em proteínas e poucos ultraprocessados favorece o ganho de massa muscular e ajuda a manter um déficit calórico. Caminhadas em terra ou pedaladas leves nos demais dias também contribuem para manter o metabolismo ativo.
Muitos treinadores sugerem incluir intervalos pontuais: por exemplo, dois minutos em ritmo bem rápido e um minuto em ritmo leve. Assim, dá para elevar a carga sem ficar o tempo todo no limite. Quem já tem algum preparo pode, ainda, adicionar movimentos de braços ou pequenos saltos na água para recrutar mais músculos ao mesmo tempo.
Para quem foge de academia ou sente dor ao correr, esse esporte pode ser uma alternativa surpreendentemente confortável. No começo, ele parece mais um momento de lazer do que treino - mas, ao praticar com regularidade, fica claro: por trás da aparência tranquila existe um método eficiente para reduzir excesso de peso e lidar com as “ondinhas” que incomodam.
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